quinta-feira, dezembro 11, 2008

Coleção do que eu não tenho


Que eu não tenha o intento de uma desistência
Da tal tentativa de mudar o mundo
Eu não tenho a chave de todas as portas
Nem mesmo o mapa de todas as rotas
Não tenho resposta às questôes pendentes
Nem todo o tempo que esperei antes
Já não tenho a surpresa de todos os fatos
E nem os momentos de todas as fotos.
Não tenho os mistérios de certos segredos
Nem mais tantos medos dentre tantos medos.
Não tenho o regresso de onde não volto
Nem mesmo o ingresso da cena que eu era
Nem mesmo quimera da vida que escolto
Não tenho mais...
Sonhos quase reais, risos quase ideais.
Palavras ditas, não tenho
Nem venho voltar às palavras que foram
Não tenho o que eu fui, se era eu ou seria
Aliás, mesmo agora, nem mais tenho a hora.
Gênio e primeiro que adentra a poesia
Eu não tenho a chave de todas as portas
E é esse não ter que limita e recria
Em mim toda luta que muito me importa,
Em mim toda luta que eu nunca teria
Sem nãos, sem não-teres, sem cara na porta
Que encara o "e se fosse, o que eu faria?"
Eu não tenho por que não tentar...
E o que ainda tenho sei que não teria
Sem que tivesse tido tudo que me desafia.

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