
A sociedade contemporânea tornou-se o que Carlos Drummond de Andrade chama(ria) de Sociedade-Coisa, ou A Grande Coisa, se olhasse para ela e contemplasse a falta de identidade que a tomou - ou a domou. O mundo se tornou o reflexo, o produto da mais brilhante fábrica de estereótipos já criada: a mídia. Seja através da televisão, da internet, de revistas ou de qualquer outro meio de informação, a mídia está sempre gritando e ditando suas mais novas tendências e nós, como bons súditos, nos curvamos a ela.
Há não muito tempo atrás, a própria televisão exibiu o mais belo retrato de sua vergonha: em uma propaganda comercial, podia-se ver e ouvir, por trinta segundos, um homem - sem rosto -, com apenas um alto-falante em mãos falando ao mundo o que, agora era melhor para a vida - o engraçado é que essa receita mudou várias vezes, durante esses trinta segundos, e mais engraçado era a conclusão do vídeo: "o mundo está muito igual, compra meu suco e seja feliz."
Experimente passar uma tarde no shopping, e verá como garotas raquíticas se destroem para estarem iguais à modelo da revista, ou como garotos se furam, pintam-se e deixam-se corromper para serem iguais a, por exemplo, seus ídolos do rock. Ir ao shopping é como visitar um zoológico de uma espécie em ascenção: o ser-sem-identidade.
O ser-sem-identidade já não pensa: pensa que pensa. Ele se deixa levar pelas ondas de influência da mídia e torna-se um fantoche preso a uma única linha solitária. A linha da manipulação. Hoje meios de informação deixaram a prioridade inata de sua existência - informar -, para tornarem-se uma geradora monstruosa de Coisas.
Mas ainda há esperança. Quando as Coisas aprenderem a pensar, raciocinar e criticar por conta própria, terá início a Revolução das Coisas! Uma epopéia digna de Huxley e sua Ilha. Quando as Coisas aprenderem a ter o Eu individual e original, talvez a mídia volte ao seu lugar, e passe só a informar.
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