segunda-feira, dezembro 22, 2008

MORFOLOGIA EM PANE


Começam mudando o nome: Monte Pascoal, Ilha de Vera Cruz, Terras de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália... Aí mudam o sistema político, a organização social, o destino das árvores, o fuso horário, a língua! Guarani era uma língua legal sabe, Tupi é lindo! Tem origem Celta e dizem que até Fenícia! Mas história não vem ao caso, talvez ao ocaso. Gramática é a questão.
Eu estudei os verbos de ligação, decorei a regência verbal, e tenho as regras de acentuação martelando minha memória de todos os jeitos possíveis! Fiz musiquinha, esquema de cores, enumeração, e todas as técnicas possíveis e imagináveis de memorização. Portanto, estão bem gravadas aqui (ocupando o espaço de um poema talvez).
Agora, depois daquela balela toda de independência, vem de novo um português me dizer pra tirar o acento da feiúra? Tirar a trema da lingüiça? E "para pôr", vai ser "pára por" ou ainda "para por"?! (Se é diferencial o acento, está lá justamente para diferenciar). Hoje são os acentos das palavras. Daqui uns dias são os assentos da ABL - que ao contrário do que o título "imortais" sugere, deixam suas cadeiras sim, deixam também os nomes, mas apenas quando saem da vida... Mudar regras não é bem assim. Não dá pra simplesmente substituir sem deixar resquícios, sem causar choque e confusão. É como se, partindo de hoje, todos devessem ter cabelos compridos. Levará tempo para deixar crescer, causará desagrado (principalmente aos homens, que teriam que conviver com o "cabelo de dia de chuva"), e surgiria resistência.
É claro que as regras e leis devem adaptar-se ao seu tempo sócio-histórico; mas as palavras, coitadas, de tão usadas se tornaram pedras, muralhas, carimbos. Significados tão atrelados aos sentimentos de tantos escritores que seria impossível idéia significar ideia.

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